Os discursos de Fidel Castro (1959-1965): uma análise a partir dos conceitos de poder simbólico e dominação masculina
DOI:
https://doi.org/10.46752/anphlac.41.2026.4296Palavras-chave:
Fidel Castro, Poder simbólico, Dominação masculinaResumo
Este artigo tem como objetivo analisar a prática discursiva de Fidel Castro, nos anos seguintes após a vitória da Revolução Cubana, tendo como base teórica os conceitos de poder simbólico e de dominação masculina de Pierre Bourdieu. Busca-se entender como e de que maneiras Castro corroborava com a estrutura da dominação masculina e as hierarquias entre masculino e feminino, a partir da produção de sentidos simbólicos sobre as mulheres cubanas. Nesse sentido, entende-se o poder como uma dinâmica que envolve não apenas o poder material ou a força física, mas um poder simbólico “invisível”. São mobilizadas, então, as noções de habitus, campo, posições e estruturas históricas para refletir sobre os aprendizados da infância, a posição central no campo da política e a manutenção da lógica da dominação masculina nos discursos de Fidel Castro.
Downloads
Referências
AYERBE, Luis Fernando. A Revolução Cubana. São Paulo: UNESP, 2004.
BETTO, Frei. Fidel e a religião: conversas com Frei Betto. São Paulo: Fontanar, 2016.
BOBES, Velia Cecilia. Participación vs. Identidad: mujeres en el espacio público cubano. Perfiles latinoamericanos, n. 15, dezembro 1999, p. 99-118.
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.
BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Difel, 2025.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão de identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2022.
CASTRO, Fidel. Discurso proferido no Parque Céspedes, em Santiago de Cuba, em 1º de janeiro de 1959. Disponível em: <http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/1959/esp/f010159e.html>. Acesso em: 24 jan. 2026.
CASTRO, Fidel. Discurso proferido na fusão de todas as organizações femininas revolucionárias. Salão do Teatro do TCT, em Havana, 23 de agosto de 1960. Disponível em: <http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/1960/esp/f230860e.html>. Acesso em: 22 jan. 2026.
CASTRO, Fidel. Discurso proferido no encerramento do Primeiro Congresso Nacional da Federação das Mulheres Cubanas, realizado no Teatro “Chaplin”, em 1º de outubro de 1962. Disponível em: <http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/1962/esp/f011062e.html>. Acesso em: 25 jan. 2026.
CASTRO, Fidel. Discurso proferido no encerramento do Congresso de Mulheres de toda a América, realizado no Teatro “Chaplin”, em 15 de janeiro de 1963. Disponível em: <http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/1963/esp/f150163e.html>. Acesso em: 27 jan. 2026.
CASTRO, Fidel. Discurso proferido na cerimônia de entrega de diplomas e prêmios aos 5.000 trabalhadores que mais se destacaram na V colheita popular, realizada em Santa Clara, em 24 de julho de 1965. Disponível em: <http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/1965/esp/f240765e.html>. Acesso em: 30 jan. 2026.
CHARTIER, Roger. Diferenças entre os sexos e dominação simbólica. Cadernos Pagu, Campinas, n. 4, p. 37-47, 1995.
CORRARELLO, Ana Maria. Adecuación estratégica en el Discurso de Fidel Castro de la etapa fundacional al proyecto socialista sovietico (1963-1989): Un análisis retorico-discursivo. 2016. 401 f. Tese (Doutorado em Análise do Discurso) – Faculdade de Filosofia e Letras, Universidade de Buenos Aires, Buenos Aires.
ELIAS, Norbert; SCOTSON, John. Os estabelecidos e os outsiders. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.
FALCON, Francisco. História e poder. In: CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo (Orgs.). Domínios da História: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Elsevier, 1997.
FERNANDES, Florestan. O que é Revolução? (1981). In: PRADO JUNIOR, Caio; FERNANDES, Florestan. Clássicos sobre a Revolução Brasileira. São Paulo: Expressão Popular, 2012.
FIDALGO, Lurdes. Mãe. In: AMARAL, Ana Luísa; MACEDO, Ana Gabriela (Orgs.). Dicionário da Crítica Feminista. Porto: Edições Afrontamentos, 2005.
FIDALGO, Lurdes. Maternidade. In: AMARAL, Ana Luísa; MACEDO, Ana Gabriela (Orgs.). Dicionário da Crítica Feminista. Porto: Edições Afrontamentos, 2005.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.
GILL, Rosalind. Análise de Discurso. In: BAUER, Martin W.; GASKELL, George (Orgs.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Vozes, 2002.
GIRAUDO, Silvia. Revolución es más que uma palabra: Fidel Castro en la tribuna. Buenos Aires: Biblos, 2010.
GOTT, Richard. Cuba: uma nova história. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.
LINERA, Álvaro García. ¿Qué es una revolución? y otros ensayos reunidos. Buenos Aires: CLACSO/Prometeo, 2020.
TORRES-CUEVAS, Eduardo; LOYOLA VEGA, Oscar. Historia de Cuba 1492-1898:
Formación y Liberación. Havana: Editorial Pueblo y Educación, 2002 (Tomo I).
MISKULIN, Silvia Cezar. Cultura Ilhada: imprensa e Revolução Cubana (1959-1961). São Paulo: Unesp, 2003.
PERICÁS, Luiz Bernardo. Che Guevara e o debate econômico em Cuba. São Paulo: Boitempo, 2018.
PISCITELLI, Adriana. Recriando a (categoria) mulher?. In: ALGRANTI, Leila Mezan (Org.). A prática feminista e o conceito de gênero. Campinas: Unicamp, 2002.
PRADO, Gilliard. A construção da memória da Revolução Cubana: a legitimação do poder nas tribunas políticas e nos tribunais revolucionários. Curitiba: Appris, 2018.
RIBADERO, Martín. La Revolución cubana un balance historiográfico. Boletín del Instituto de Historia Argentina y Americana “Dr. Emilio Ravignani”, Buenos Aires, n. 51, p. 204-234, julio-diciembre 2019.
RODRIGUES, Bruno Romano. ¡Habla Comandante! Estratégias de memória nos discursos de Fidel Castro (1959-2006). In: CALEGARI, Ana Paula Cecon; GENEROSO, Lídia Maria de Abreu (Orgs.). Revolução Cubana: perspectivas históricas e desafios atuais. Belo Horizonte: Initia Via, 2021, p. 409-431.
RODRIGUES, Bruno Romano. Palavra e poder: os discursos de Fidel Castro como fontes históricas (1959-1976), Extraprensa, São Paulo, v. 17, n. 2, p. 30-56, 2024.
SANTOS, Giselle Cristina dos Anjos. A revolução cubana e as intersecções de gênero, raça e sexualidade. In: CALEGARI, Ana Paula Cecon; GENEROSO, Lídia Maria de Abreu (Orgs.). Revolução Cubana: perspectivas históricas e desafios atuais. Belo Horizonte: Initia Via, 2021, p. 258-281.
SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99, 1995.
SCHACTAE, Andréa Mazurok. A Revolução Cubana e os espaços ocupados por homens e mulheres. Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13º Congresso Mundos de Mulheres (Anais Eletrônicos), Florianópolis, p. 1-12, 2017.
TEDESCHI, Losandro Antônio. Bourdieu e a dominação masculina. In: COLLING, Ana Maria; TEDESCHI, Losandro Antônio (Orgs.). Dicionário Crítico de Gênero. Dourados: Universidade Federal da Grande Dourados, 2019.
VASCONCELOS, Joana Salém. História agrária da Revolução Cubana: dilemas do socialismo na periferia. São Paulo: Alameda, 2017.
VASSI, Cassia. A mulher cubana e sua sociedade: da independência à revolução. Dimensões, Vitória, n. 19, 2007.
VILABOY, Sergio Guerra, GALLARDO, Alejo Maldonado; ARANA, Roberto González. Historia de la Revolución Cubana. In: VILABOY, Sergio Guerra, GALLARDO, Alejo Maldonado; ARANA, Roberto González. Tres Revoluciones que estremecieron el continente en el siglo XX: México, Cuba y Nicaragua. Barranquilla: Editorial Universidad del Norte, 2020, p. 167–309.
VALDÉS PAZ, Juan. A Revolução Agrária Cubana: conquistas e desafios. Estudos Avançados, São Paulo, v. 25, n. 71, p. 73-87, 2011.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
a. Cessão de direitos autorais
Venho, por meio desta, ceder em caráter definitivo os direitos autorais do artigo "____________", de minha autoria, à Revista Eletrônica da ANPHLAC e afirmo estar ciente de que estou sujeito às penalidades da Lei de Direitos Autorais (Nº9609, de 19/02/98) no caso de sua infração. Autorizo a Revista Eletrônica da ANPHLAC a publicar a referida colaboração em meio digital, sem implicância de pagamento de direitosautorais ou taxas aos autores.
b. Declaração de ineditismo e autoria
Atesto que o artigo ora submetido à Revista Eletrônica da ANPHLAC, intitulado "________________________", de minha autoria, nunca foi publicado anteriormente, na íntegra ou em partes, dentro do país. Vindo a ser publicado na Revista Eletrônica da ANPHLAC, comprometo-me a não republicá-lo em qualquer outro veículo editorial.



